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ao norte o oh tem som mais forte e e o te com a lingua entre os dentes nao aponta falha, a lingua nordestina corta igual navalha. povo esquecido por um sistema falido, vim pra ca como quem viaja no tempo, me sinto no passado. e o passado, apesar de esquecido, me leva de volta ao ninho, tao longe daqui, em que aprendi o que eh ser. tenho aprendido errado, boto meus dedos dispostos a tentar reverter essa historia.

de corpo inteiro pisando num chao invisivel aos meus olhos, adentrando de carne&alma num pantano sombrio e obscuro em que as palavras ainda nao inventadas gritam alto demais pra serem esquecidas. linguagem traiçoeira me conduz ao mais sagaz de seus membros, sou filha devota do passado e ha muito minha vida esta prometida ao fardo de contar suas historias. agora, ao norte, me boto face a face com ele, viajei tres mil quilometros no tempo espaço pra chegar mais perto do sonho que tenho sonhado e, tao distante do mundo por viajar tao longe dentro de mim, busco a natureza morta que se sobrepoe e desenha uma por uma das palavras que contam a historia da minha viagem intra-espacial pelo abismo. sou filha do norte tambem, sim senhor. a cultura ocidental ja nao pode mais me separar da minha origem. destruirei uma por uma das palavras que compoe esse presente de grego que tenho em maos, se preciso for. mas antes uso-as pra desenhar o abstrato que me cerca. 

ao norte o oh tem som mais forte uso como navalha a lingua que ceis trouxe pra nos prender. povo esquecido nao se cala, a lingua corta e tambem a peixeira e tambem tanto espinho desse pantano de ilusao. busco ouvir as palavras nao inventadas que gritam e quem sabe num grito desses eu conheça a tao sonhada palavra que inutiliza a liberdade falsa que tenho encontrado pra vender, e eh cara demais pra se pagar.